sábado, 5 de fevereiro de 2011

ACHANDO FORMAS

Estância, 02 de fevereiro de 2011


Passeava pela praça. Um ar rarefeito, a leve membrana da noite lhe abraçava. Era a mais bela da noite, cantava em meio a arvores, em meio às crianças, em meio às borboletas noturnas. E eu em casa pensando no mundo dos meus pés.
Ela saiu levando todos em procissão pela avenida principal, todos agora cantam com ela. Ela com braços posto um sobre os outros e com a face de sôfrego ardor, mas consciente de seu ser. Eu, ela; mundos opostos prestes a colisão. O bairro era grande, mas dentro de sua procissão ficou pequeno. Parou em minha porta, e em meio ao meu silencio impostou as vozes dos corações. Avermelhei. Noite, dia, já não sabia o que era mais... Me teletransportei e fui empoeirado em outro planeta com o cosmo enternecido, não vi você, só o meu peito soluçando no brilho da lua. Aqui no planeta vazio de formas, começo a me criar em meio às criaturas já existentes, faço-me arte das pedras, dos gelos e das estradas. Não comungo das leis desleais e grito aos seus, aos meus também sem formas, os sonos sedentos de deformações, para assim, figurar uma composição de todos, com todos e em todos. Vez por outra me bate a dor de um lugar desconhecido, um eco de canto... Hoje sair a uma revolução, a revolução das formas, dos sentidos metrificados. Foi uma luta realmente audaz. Chegamos numa praça e nos deparamos com uma canção que glorificava os nossos anseios... Fui me lembrando do canto que começara a minha porta para o meu despertar... É ela! Chegara e eu paralisei. Comecei a entender que toda essa viagem foi ela quem me proporcionara.
O final ainda está longe e por isso que continuarei, agora consciente dela, consciente com ela e para ela. Nunca me deixe desistir, pois os sonhos que tive me deram formas formais, formativas e performáticas, eu quero viver, eu quero respirar com a luz do dia, da noite e comigo, com ela e com ele e com Eus... Vamos senhores, senhoras,  adjuntos, sujeitos e verbos, vamos! Vamos ser substantivo da causa... Da causa que nos pertence. Pois o mundo é o nosso Deus, os nossos Eus, e nossas santas idéias, e nossas pecadoras idéias... Sejamos juízes dos nossos atos usando o olhar do outro como espelho de transição!


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